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Existe vida no luto… existe sim!

A vida pregou-me uma rasteira daquelas que jamais esquecerei e que me marca para todo o sempre.

Muitas são as pessoas que já passaram ou estão a viver o luto, sei que não sou a única. No entanto, esta dor é minha e creio que não exista ainda um medidor de emoções que defina quem sofre mais. Por isso, não quero ouvir o discurso das little people : “pois, Margarida, sei que te doí e que estás cansada mas eu estou mais que tu!”

Descobri ao longo destes 22 meses que o luto é uma caminhada, uma espécie de peregrinação, uma jornada realizada por mim a um lugar sagrado – o meu Ser. O luto é uma experiência inconfortável e dolorosa. Desperta em mim um espaço de vulnerabilidade originando uma sensação de vertigem interior. O meu instinto procura controlar este estado, mas acaba por tornar esta vivência mais difícil de ultrapassar devido à exigência permanentemente presente.

Muito se fala do estado de aceitação. Um luto recente é impossível de aceitar num curto espaço de tempo pois, depende muito da forma como se avança, ou não, na dita jornada. No entanto, é viável aliviar a caminhada mudando as diferentes percepções e abraçando cada novo estado de espírito. Estar consciente que não existe um manual de instruções do luto é o ponto de partida para esta jornada de aceitação.

Um passo de cada vez, sem pressas, permite-me aceitar experiências que não posso controlar durante o percurso. A força da natureza é imensurável e tolo é quem pensa dominar o tornado, o terramoto, o tsunami. Embarquei numa viagem sem rota definida, mas sei o destino, e estes fenómenos terão de ser vivenciados pois não existe para mim outra visão. O cansaço, o desânimo, a raiva, o desejo de voltar à zona de conforto, a incerteza são uma constante na paisagem. Mas ao caminhar, ao meu ritmo, encontro forças inesperadas, forças interiores insuspeitadas que me dizem para manter a esperança de um novo dia, de um apaziguar da dor.

A vulnerabilidade, sempre presente, dá-me a sensação de ir para o combate sem armadura. Todos os meus recursos interiores são solicitados na construção de novas forças e aí nascem a humildade, a coragem e a capacidade para enfrentar cada momento. A vulnerabilidade e a humildade são ferramentas indispensáveis em toda e qualquer aprendizagem, levam-me à profundeza da vida afastando-me assim de tudo o que é superficial. Assim, tudo se conjuga para a minha vitória… a resiliência. Ao aceitar todos os estados e emoções, permito-me encontrar a calma e a paz colocando um ponto final às resistências. De nada serve desvalorizar ou precipitar o momento. Durante a peregrinação, são vários os momentos de perda de memória, estado quase amnésico, de falta de concentração, de agitação e hiperactividade, de ausência de compromisso. Daí ser importante trabalhar o desapego. Em suma, é um percurso de conquista da paz interior.

Existe ainda outro ponto importante para chegar ao fim da jornada. Tenho a sorte de estar acompanhada pela minha Família do Coração, essas pessoas que me dão atenção, força, colo e que procuram de uma maneira ou outra alegrar e iluminar os dias cinzentos. Estou grata por esta linda família contribuir no alimento da minha luz interior. Aceitar o amor que me dão, fortalece-me e mantenho-me fiel a quem sou.

O luto é uma dura mas rica jornada. Aceitar não significa estar feliz ou satisfeita de uma situação ou acontecimento. Aceitar não é querer que tudo permaneça igual. Aceitar é a acção de reconhecer o que é e está, pois só assim consigo transformar um estado de espírito.

Existe vida no luto… existe sim! Este é o destino da jornada: a VIDA!

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